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Vai tudo bem

sábado, 2 de julho de 2011

Muitos perguntam como um crente pode em meio a tantas provas estar sorrindo?
Meu amigo, a resposta e uma só! Estou sorrindo porque sei que Deus dá a prova, mas junto garante a vitória. Esse é o segredo do cristão.




Olha eu de novo
lutando pra me levantar do chão!
Tentando costurar meu coração
pra quem sabe eu voltar ainda hoje
a sorrir.....


Olha eu de novo
juntando os pedaços da minha vida
Lutando pra achar uma Saída
mas não saio da Presença de Quem pode
me ajudar.....


Vai tudo bem!
Enquanto aqui por dentro a gente chora
Sabendo que a Alegria foi embora
e só restou a Esperança DEsse Deus
que tudo vê.....


Vai tudo bem!
Foi o mesmo que falou a Sunamita
E assim também preservo a minha vida
que interessa só a Deus e a mais ninguém


E eu vou profetizar: "Vai tudo bem!"
Com a minha boca declarar: "Vai tudo bem!"
Vou fazer dos meus problemas
uma grande passarela
só dizer: "Vai tudo bem!"


E eu vou profetizar: "Vai tudo bem!"
Com a minha boca declarar: "Vai tudo bem!"
Meu irmão, se eu determino,
se eu declaro ao Deus Vivo,
minha Vitória logo vem


================================================
Escute a música:
ouvir : conectando


ANEMIA

Diz-se haver anemia (do grego, an = privação, haima = sangue) quando a concentração da hemoglobina sanguínea diminui aquém de níveis arbitrados pela Organização Mundial de Saúde em 13 g/dL para homens, 12 g/dL para mulheres, e 11 g/dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.
O que é hemoglobina
A hemoglobina é o pigmento que dá a cor aos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos.
Apesar de ter um cortejo de sintomas e sinais próprios, a anemia não é, em si, uma doença, mas uma síndrome, pois pode decorrer de uma extensa lista de causas.
É a síndrome crônica de maior prevalência em medicina clínica.
Classificação das anemias
A anemia pode ser aguda ou crônica.
Na anemia aguda (perda súbita de sangue) a falta de volume no sistema circulatório é mais importante que a falta de hemoglobina. A perda de até 10% do volume sangüíneo, como a que ocorre numa doação de sangue, é bem tolerada. Perdas entre 10 e 20% causam hipotensão postural, tonturas e desmaios. Nas perdas acima de 20% há taquicardia, extremidades frias, palidez extrema, e hipotensão, depois choque; se a perda ultrapassar 30%, sem reposição imediata de líquidos intravenosos, o choque torna-se rapidamente irreversível e mortal.
Nas anemias crônicas não há baixa do volume sangüíneo, que é compensado por aumento do volume plasmático.
A falta de hemoglobina, como regra acompanhada de diminuição do número de eritrócitos, suas células carreadoras, causa descoramento do sangue, com palidez do paciente, e falta de oxigênio em todos os órgãos, com os sinais clínicos daí decorrentes. Hipócrates (@400 a.C.) descreveu-os: palidez e fraqueza devem-se à corrupção do sangue.
O sistema nervoso central, o coração e a massa muscular são os órgãos mais afetados, pois são os que mais necessitam oxigênio para suas funções.
A sintomatologia aumenta com a atividade física, pois esta consome oxigênio.
Com hemoglobina entre 9 e 11 g/dL há irritabilidade, cefaléia e astenia psíquica; nos velhos há fatigabilidade e podem ocorrer dores anginosa
Com hemoglobina entre 6 e 9 g/dL há taquicardia, dispnéia e fadiga aos menores esforços.
Com hemoglobina abaixo de 6 g/dL a sintomatologia está presente mesmo em atividades sedentárias e quando abaixo de 3,5 g/dL a insuficiência cardíaca é iminente e toda a atividade impossível.
As queixas espontâneas dos pacientes, entretanto, são menos exuberantes que a descrição acima: sem se aperceberem diminuem progressivamente a atividade física até níveis assintomáticos, e dizem nada sentir.
Diagnóstico
O hemograma é o exame fundamental para o diagnóstico da anemia. É feito, atualmente, em contadores eletrônicos de grande porte e alto preço (de US$80000 a US$400000), que contam e medem os eritrócitos e geram curvas de freqüência com médias e coeficientes de variação, definindo os parâmetros numéricos da população eritróide. As melhores máquinas distinguem e contam os eritrócitos mais jovens (reticulócitos), permitindo-se assim uma avaliação da produção diária e da resposta regenerativa à anemia.
Complementando-se os números dessa fantástica tecnologia com a observação ao microscópio por um patologista-clínico experiente, a grande maioria dos casos de anemia pode ser caracterizada quanto a seu mecanismo de produção (patogênese), o que leva ao diagnóstico da doença ou evento básico causal (etiologia). Deste modo:
 

*Quando a patogênese é a produção inadequada de hemoglobina, seja por falta de ferro ou por defeito genético na síntese, o hemograma evidenciará a presença de eritrócitos menores que o normal (microcitose), por faltar-lhes conteúdo.

*Nas anemias decorrentes de inibição da proliferação eritróide, como na falta de vitamina B12 , no uso de drogas antiblásticas (usadas no tratamento do câncer) ou em algumas doenças próprias da medula óssea, serão notados eritrócitos com volume médio superior ao normal (macrocitose).

*Nas anemias que acompanham as doenças crônicas, infecciosas, reumáticas, renais, endócrinas, o hemograma caracteriza-se “por não ser esclarecedor”; devem ser procurados os sinais clínicos e os resultados de exames próprios de cada uma delas.

*Nas anemias por excesso de destruição periférica dos eritrócitos (anemias hemolíticas) e nos dias que sucedem uma hemorragia, o hemograma mostrará aumento significativo dos reticulócitos, caracterizando a hiperregeneração reacional do tecido eritróide da medula óssea.
Tipos de anemia
As anemias mais freqüentes e/ou de particular importância tanto médica quanto social são:
 

*Anemia da carência de ferro (anemia ferropênica)

*Anemia das carências de vitamina B12 (anemia perniciosa) e de ácido fólico

*Anemia das doenças crônicas
*Anemias por defeitos genéticos:

- anemia de células falciformes

- talassemias

- esferocitose

- deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (favismo)

*Anemias por agressão periférica aos eritrócitos:

- malária

- anemias hemolíticas imunológicas

- anemia por fragmentação dos eritrócito

*Anemias decorrentes de doenças da medula óssea:

- anemia aplástica

- leucemias e tumores na medula   











































   

O ponto negro


Certo dia, um professor chegou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova-relâmpago. Todos acertaram suas filas, aguardando assustados o teste que viria.
O professor foi entregando, então, a folha da prova com a parte do texto virada para baixo, como era de costume. Depois que todos receberam, pediu que desvirassem a folha.
Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha. O professor, analisando a expressão de surpresa que todos faziam, disse o seguinte: “Agora, vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo”.
Todos os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa.
Terminado o tempo, o mestre recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta. Todas, sem exceção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha.
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor então começou a explicar: “Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco. Todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros. A vida é um presente da natureza dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado. Temos motivos para comemorar sempre. A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá o sustento, os milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro! O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um amigo. Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente”.
Pense nisso!
Tire os olhos dos pontos negros de sua vida. Aproveite cada bênção, cada momento que Deus lhe dá. Creia que o choro pode durar a noite toda, mas a alegria logo vem no amanhecer. (Salmo 30,5).
Tenha essa certeza, tranquilize-se e …. SEJA FELIZ!!!!!

Silas Malafaia vai falar sobre a Parada Gay no programa deste sábado

pastor Silas Malafaia anunciou que o tema do programa Vitória em Cristo, que vai ao ar no próximo sábado, 2, será sobre a Marcha para Jesus de São Paulo e sobre a Parada Gay.

Silas Malafaia vai falar sobre a Parada Gay no programa deste sábado
Em seu Twitter o pastor escreveu: “No sábado, o programa vai tremer. Falarei sobre a Parada Gay, que ridicularizou os católicos. Não percam!”
O pastor se refere a uma campanha que utilizou imagens de santos com modelos semi-nus em cartazes colados em postes durante o evento que aconteceu no dia 26 de junho na Avenida Paulista.  Foram 170 cartazes que diziam “Nem Santo Te Protege” e “Use Camisinha”.
Essa campanha contra doenças sexualmente transmissíveis gerou polêmica e até o cardeal D. Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo,  se pronunciou sobre o assunto dizendo que o cartaz “ofende profundamente o sentimento da Igreja Católica”.
O tema também desagradou pastores evangélicos, entre eles o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo que promete um programa “quente” para falar sobre o assunto.
O programa Vitória em Cristo vai ao ar no dia 2 de julho pela Rede TV! às 9h.
Com informações The Christian Post

Morro de vergonha de mim

sexta-feira, 1 de julho de 2011


Morro de vergonha de mim por Mauricio Zágari


Olá, meu nome é Mauricio Zágari e eu morro de vergonha de mim. Tenho vergonha demais de mim, pra dizer a verdade. Eu acreditava que era um bom cristão, que fazia as coisas direitinho, que cumpria a cartilha de Deus. Até que descobri que estou a anos-luz de distância de ser um cristão como Cristo quer que eu seja. E por causa disso me envergonho tanto que mal tenho coragem de sair de baixo dos cobertores pela manhã.

Se você pudesse acompanhar minha vida cristã ao longo de uma semana por meio de uma câmera escondida até que ficaria bem satisfeito. Eu oro e leio a Biblia com regularidade. Aliás, já li a Biblia inteirinha, de Gênesis a Apocalipse. Leio bons livros cristãos. Cursei dois seminários teológicos. Todo domingo ponho meu uniforme de crente e vou ao culto. Com gravata e tudo. Chego à igreja, sorrio para as pessoas, falo jargões evangélicos, beijo as velhinhas. Quando alguém me elogia por alguma razão mostro toda a minha humildade e digo “Soli Deo Gloria”. Sim, sou o supra sumo da humildade cristã, sempre dando glória a Deus quando me destacam alguma qualidade.

Começa o culto, eu canto louvores, levanto as mãos, aperto meus olhos como forma de mostrar como a música está me tocando e como estou adentrando no Santo dos Santos graças à imensa espiritualidade que transpiro por todos meus poros. Na hora de cumprimentar os irmãos faço minha melhor cara de piedade. Entrego o dízimo ao pastor e presto muita atenção ao que ele está pregando. Ao final canto mais um pouco e termino o culto desejando uma semana abençoada aos irmãos. Volto para casa, oro antes de cada refeição, cumpro tudo o que manda o figurino. Sou um crente legal à beça. Faço minhas caridades – e não espere que vá contar aqui, afinal o que a mão direita faz a esquerda não seve saber e sou tão certinho que jamais te contaria de que modo dou dinheiro aos pobres. Aí ponho minha cabeça no travesseiro à noite, após orar impondo as mãos sobre minha filha no berço, e me deito para sonhar com os anjinhos, satisfeitíssimo com minha perfeita vida cristã.

Só que, pela manhã, desperto com alguém me cutucando. Alguém que faz questão de me acordar me convencendo do pecado, da justiça e do juízo. Viro pro outro lado. “Me deixa quieto”, resmungo, “tou fazendo tudo direitinho”. Cubro a cabeça com o travesseiro… mas não adianta. Acordo morrendo de vergonha de mim. Pois esse alguém começa a lembrar-me de coisas que eu preferiria não lembrar. A primeira coisa que Ele me diz é: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.” (Lc 10.27). Por mais sonado que eu esteja nessa hora percebo que nunca na minha vida amei Deus acima de todas as coisas, com 100% do meu coração e alma e forças. Sempre tive forças que poderia ter canalizado para minha relação com Deus… e não o fiz. Gosto muito dele, é verdade. Mas se eu o amasse tanto assim meu tempo seria menos dedicado a mim mesmo.

Falo de tempo pois ele é um bom termômetro das nossas prioridades: É naquilo que te é mais importante que você investe mais do seu tempo. E então comparo a quantidade de tempo que passo me relacionando intimamente com Deus e vejo quão pouco tempo de qualidade Ele tem recebido de mim. E ressalto “intimamente” pois não estou me referindo a aquelas orações clichês que todos fazemos, do tipo “Ó, Senhor meu Deus e meu Pai, Rei das galáxias, Senhor Deus eterno e inefável…”, mas sim a do tipo “Abba, Pai…”. Gasto tempo em comer; dormir; beber; jogar videogame; ver televisão; sair com amigos; namorar; escrever textos, livros e reportagens; trabalhar; fazer compras… E, por mais que eu ore diariamente, meu tempo de comunhão com o autor da minha vida é ridículo para quem eu deveria amar “de todo o meu coração, e de toda a minha alma, e de todas as minhas forças, e de todo o meu entendimento”. Tenho vergonha de mim por isso.

E quando eu achava que já tinha morrido suficientemente de vergonha vem aquele Alguém e sopra em meu ouvido: “E ao teu próximo como a ti mesmo”. Que piada. Chego a rir, com uma careta. Não, eu não amo meu próximo nem um centésimo do que amo a mim mesmo. Invisto em mim, busco o meu prazer, crio alternativas para me entreter, pago minha previdência, vou ao médico cuidar da minha saúde… cara, como eu me amo! Como eu cuido de mim! Não me desamparo, não me deixo ficar com fome, vou ao trabalho no ônibus mais caro porque, afinal, gosto tanto de mim que não me permitiria passar duas horas por dia num transporte que deixasse minhas costas doloridas. E então vejo as ações que faço pelo meu próximo que demonstram meu amor por ele e… morro de vergonha de mim. A verdade? Praticamente não faço nada pelo próximo. Aliás, pra não dizer que não faço, digo sempre um “tudo bem?” formal. E torço para que ele esteja bem mesmo, para que eu não tenha que ouvir suas lamúrias (afinal, ouvi-lo tomaria o tempo que EU poderia estar me lamuriando a ele).

Pensar nisso me faz morrer de vergonha. Então faço de tudo para não pensar. Pensar incomoda, afinal. Nos tira da zona de conforto. E, às vezes, até dói. E dói muito. Resolvo, então, como bom cristão, fazer meu devocional diário. Mas, miseravelmente, o trecho que leio da Palavra de Deus é “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33). Aí eu penso o quanto me preocupo mais com a promoção no trabalho, com o dissídio, com o imposto de renda, com a troca do meu carro por um que chame mais a atenção das pessoas e outras praticidades da vida que percebo que “Reino de Deus” parece um troço tão distante e efêmero, algo como pessoas vestidas de branco andando numa nuvem ou gente desocupada caminhando por uma bela estrada de tijolos dourados, como no filme “O Mágico de Oz”.

Cometo o pecado maior para quem não quer sentir vergonha de si: leio a Bíblia. E morro de vergonha de mim. Vejo o que Deus disse ao jovem rico e percebo que eu tomaria a mesma atitude que aquele rapaz se estivesse no lugar dele. Vejo a passagem da mulher adúltera e sinto ódio daqueles judeus legalistas que queriam apedreja-lá, mas… me dou conta de que se estivesse ali eu teria uma pedra em cada mão. Medito na passagem do rico e Lázaro e percebo com um tremor no corpo que o nome daquele rico bem poderia ser o meu. Me vejo sem nenhuma fé quando a tempestade sacode o barco em que Jesus dorme e sou o primeiro a correr a Ele para acordá-lo. Critico os apóstolos que discutem para saber quem se sentará à direita de Cristo no Reino dele e percebo envergonhado que estou entre eles, querendo o tal lugar de destaque. Caio ferrado no sono no Monte das Oliveiras, sem atentar ao sofrimento do Messias, e quando o galo canta três vezes é para mim que o Mestre dirige seu olhar – mesmo sabendo que chego no culto, todo domingo, e digo do começo ao fim: “Senhor, tu sabes que te amo”.

Aflito de vergonha, corro para o Sermão do Monte que, afinal de contas, é tão bonitinho, tão poético, me faz sentir tão bem. Parece poesia de Vinícius de Morais, Fernando Pessoa ou Clarice Lispector. Frasezinhas tão gostosinhas de ouvir! Quem sabe até acho algumas para tuitar. Mas, meu Deus, começo a ler e aí então é que a vergonha come minhas entranhas. Me procuro nas bem-aventuranças e não me encontro. Ouço o Mestre falar sobre ser sal da terra e luz do mundo e diagnostico o quão insípido e escuro tenho sido. Percebo que a minha justiça é igualzinha à dos escribas e fariaeus, que nutro rancor por muitas pessoas, que meu sim muitas vezes é não e meu não muitas vezes é talvez. Amo meus amigos e odeio meus inimigos. Vergonha, vergonha, vergonha…

Chego a Mateus 6 e diagnostico o quanto ando preocupado com o que haverei de comer e beber. Os lírios do campo? Ah, fala sério! Os pássaros que Deus alimenta? Eu não tenho penas, camarada. Por isso atravesso meus dias vivendo cada dia meu mal e mais o mal do mês que vem, do ano que vem, da minha velhice. E morro de vergonha de mim. E tem mais: eu julgo o meu próximo sim. Todos os dias.

Leio então sobre dar a outra face, andar a segunda milha e deixar a capa e tento lembrar da última vez que fiz essas coisas. Não consigo. Não me lembro. Será que é porque praticamente nunca fiz isso? Mas se for para lembrar da última vez que dei o troco a quem me ofendeu, ah, isso é fácil! Lembro mole mole da última, da penúltima, da antepenúltima e das últimas centenas de vezes que paguei olho por olho e dente por dente.

Chega a um ponto em que a vergonha que sinto de mim é tão grande que não suporto mais e ponho a Bíblia na mesinha de cabeceira. Chega de Bíblia! Chega de olhar nesse espelho tão vergonhoso! Chega de olhar para dentro de mim. Chega de perceber como sou um cristão tão distante do que Jesus quer que eu seja! Pego então um livro de História da Igreja para, sei lá, dar uma espairecida. Gosto de História. Mas o que leio ali não ajuda muito.

Leio sobre os primeiros cristãos. Leio sobre Policarpo, que ao ser ameaçado com a fogueira caso não negasse Cristo responde ao seu acusador “O senhor me ameaça com um fogo que queima durante uma hora e logo se apaga. Mas o fogo do julgamento futuro e do castigo eterno reservado para os ímpios, esse o senhor ignora. Mas por que está se delongando? Faça tudo o que lhe agradar”. E, em seguida, ergue os olhos ao Céu e ora ao Senhor: “Ó Pai, eu te bendigo por me teres considerado digno de receber o meu prêmio entre os mártires”. Comparo sua atitude com a vergonha que sinto de entregar um folheto evangelistico a alguém na rua. Minha vontade é me esconder na primeira fresta do piso que encontrar. Ou num buraco de rato – o que seria bem mais adequado.

Leio sobre as histórias de vida e morte de mártires como Maturo, Santo, Blandina, Lourenço, Albano, Átalo, Romano e outros que foram destroçados por confessar sua fé em Cristo e minhas lágrimas denunciam minha vergonha. Não suportando mais minha fé tosca e interesseira, troco o livro de História por “O Livro dos Mártires”, de John Foxxe, e abro em qualquer página, aleatoriamente, que me faça esquecer meu cristianismo raso e ridículo. E ali encontro o relato do menininho que confessa Cristo ante as autoridades pagãs e por isso tem o couro do alto da sua cabeça arrancado, com cabelo e tudo. Leio então que, ao ver isso, grita sua mãe: “Aguenta, filhinho! Logo tu verás Aquele que te enfeitará a cabeça nua com uma coroa de glória eterna”, diante do que o menininho sente-se animado e recebe os açoites com um sorriso no rosto. As lágrimas descem de vergonha pela minha face e mal consigo chegar ao final do relato, que chega junto com o final da vida daquela criança admirável: “Ao chegarem ao local escolhido, os carrascos arrancaram o filho da sua mãe, que o tomara nos braços. A mãe, limitando-se a beijá-lo, entregou a criancinha. ‘Adeus’, disse ela. ‘Adeus, meu doce filhinho. Quando tiveres entrado no reino de Cristo, lá no teu abençoado estado lembra-te da tua mãe’. E enquanto o carrasco aplicava a espada ao pescoço da criancinha, ela cantou assim: Todo louvor do coração e da voz nós te rendemos, Senhor. Neste dia em que a morte deste santo recebes com muito amor.“

Meu Deus…. meu Deus… meu Deus….

E morro, mas morro de vergonha ao perceber que estou lendo o livro deitado numa cama confortável, com música ambiente, edredom, refirgerante, um bom sanduíche e ar condicionado.
Leio sobre os cristãos que se venderam como escravos para poder pregar o Evangelho na Indonésia, onde, de outra forma, não conseguiriam entrar para levar a mensagem da Cruz. Entro no website do Ministério Missão Portas Abertas e descubro que milhares morrem todos os anos, nos nossos dias, em países onde há perseguição religiosa, como China, Coreia do Norte, países árabes… e não quero pensar nisso, pois me envergonha demais lembrar da minha preguiça de dirigir uma hora num carro com direção hidráulica para pregar o Evangelho em uma igreja num bairro um pouco mais afastado (e olha que provavelmente vão me dar uma gorda oferta para “me abençoar”). Que vergonha…
Então, como toda boa pessoa que quer esquecer das realidades da vida, me entrego às drogas. Nãos aquelas drogas proibidas e químicas, mas aquela droga viciante, burrificante e escapista chamada televisão. Quero ver qualquer besteira que me faça esquecer do meu cristianismo patético. Ligo a TV e está passando o programa de um pastor que grita, ofende e em vez de pregar o Evangelho dos mártires fala de prosperidade, dinheiro e produtos que você pode comprar no cartão ou no cheque pré. Mudo de canal e vejo um outro pastor batendo altos papos com um demônio em rede nacional. Com as mãos trêmulas, mudo novamente de canal, apressado, e assisto a uma sacerdotisa vestida como uma perua de Beverly Hills falando sobre como colher vitórias pra sua vida. Já com falta de ar, faço minha última tentativa e mudo, suando, para outro canal. O que vejo ali é o pior de todos os programas: é que, sem querer, em vez de mudar de canal apertei o botão “off” da TV, que desligou. É então que, diante da tela preta, o que vejo é minha própria imagem refletida nela. E morro de vergonha daquele que é o mais vergonhoso de tudo o que vira naquela televisão até então.



Então paro. Silencio. Fecho a porta do quarto. Me ponho de joelhos. A vergonha é tanta que minha oração não tem palavras, apenas choro. Sem coragem de abrir a boca, me contento em roubar palavras de um homem que três mil anos atrás morreu de vergonha de si mesmo ante Deus. E faço minhas as palavras dele, registradas no Salmo 51: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria, e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer”.
Olá, meu nome é Mauricio Zágari e eu morro de vergonha de mim. Tenho vergonha demais de mim, pra dizer a verdade. Eu acreditava que era um bom cristão, que fazia as coisas direitinho, que cumpria a cartilha de Deus. Até que descobri que estou a anos-luz de distância de ser um cristão como Cristo quer que eu seja. E por causa disso me envergonho tanto que mal tenho coragem de sair de baixo dos cobertores pela manhã.
Mas tenho esperança de que consiga me converter sempre, dia após dia.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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